Por diversas vezes, sufoquei o desejo de externar meus sentimentos, usei várias máscaras para disfarçar minha face real, reprimi minhas emoções, alegando a mim mesmo que não era moralmente adequado me permitir ser conforme gostaria.
Por tantas décadas, vesti roupas que a sociedade tachara de ideal, calcei sapatos que apertavam meus pés, usei o tom de voz que me afirmaram ser o correto, deixei de manifestar minha opinião, porque me disseram que não era hora de falar.
Em muitas circunstâncias, agi esperando a aprovação alheia, fiz o bem para ser recompensado, moldei-me para ser aceito nos grupos, apedrejei aqueles que meus pares julgavam, neguei minhas vontades, negligenciei meus valores, enterrei meus talentos e fingi ser alguém muito diferente do que verdadeiramente era.
Hoje, reconheço minha pequenez, sei que ainda sou um ser imperfeito, entretanto, já consigo entender que o amor é alimento diário, que deve ser plantado, colhido e multiplicado.
Hoje, compreendo que a verdadeira religião é a prática constante da fraternidade e, por isso, os que a exemplificam veem todos como irmãos, agem com todos como irmãos, desejam o bem a todos, indistintamente.
Hoje, sinto que minha consciência se expandiu e, assim, sou capaz de analisar os meus equívocos e corrigi-los, mas sem me culpar ou punir.
Hoje, mostro-me tal como sou, expresso meu parecer, consigo dizer o que sinto, pois aprendi que o sublime dos sentimentos independe de barganha, que amor dispensa rótulos, que somos amados sem necessidade de agradar ao outro, que não precisamos ter medo ou vergonha do que sentimos.
Hoje, creio no meu amadurecimento espiritual, sou grato a Deus pela minha vida, dou sentido à afetividade, não preciso encobrir minhas imperfeições para ser acolhido, não necessito forçar o outro a me entender ou gostar de mim, porque sei respeitar o próximo como irmão, enxergá-lo como caminhante neste planeta ainda carente de transformação.
Hoje, redefino minha rota de viagem: quero concretizar meus propósitos, distanciar-me de prazeres efêmeros, otimizar o meu tempo, não me iludir com toxinas mentais e tomar, abundantemente, o elixir para dores, mazelas e sentimentos nocivos: o amor!

Marília de Souza Neves
Mineira, mestra em Linguística, especialista em Fundamentos Críticos da Literatura, graduada em Letras, professora, escritora, palestrante, consultora de educação e de gestão pública, adora estudar, refletir, compartilhar e prosear.
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